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INFORMAÇÕES SOBRE O CLARINETE

Como clarinetista, podes tocar em diversos grupos de diferentes estilos desde música erudita, musica moderna, jazz, música oriunda de determinado lugar. É um instrumento muito versátil, pode emitir sons quase inaudíveis, como pode tocar tão forte que pode ouvir-se por cima de Orquestra completa. Pode ainda tocar com um som aveludado, ou com um som estridente. É um instrumento que soa bem com os violinos numa orquestra sinfónica, mas também com os trompetes numa banda filarmónica, ou num "ensemble" de clarinetes, como é óbvio. Também soa excelente em combinação com o piano, com a voz humana, num quinteto de sopros - (flauta, oboé, fagote, trompa e o clarinete ). O clarinete soará como o músico entender que deva soar, atendendo ao estilo de música que se pretende fazer. O clarinete existe em diferentes tamanhos, pode ser feito de madeira ou plástico, normalmente é preto, mas pode aparecer noutras cores, e usa diferentes mecanismos que serão discutidos mais à frente. O clarinete mais ordinário, é o clarinete em sib, também chamado clarinete soprano.

Uma visão rápida do instrumento – à primeira vista, o clarinete parece um instrumento complicado, mas não é assim tanto. Na sua essência, o clarinete é um tubo comprido com buracos, que tira a nota mais grave se estiverem todos os buracos tapados. À medida que abrimos os buracos, o som torna-se mais agudo. O clarinete funciona com mecanismos de extenção, pois possui mais buracos do que dedos. O clarinete consiste em 5 partes: a boquilha com a palheta, o barrilete, a junção superior, a junção inferior e a campânula. O clarinete tem 6 aros ou anéis, cinco dos quais na frente do instrumento. O sexto aro fica na parte de trás, onde é tapado pelo polegar esquerdo. Muitos clarinetes têm 17 chaves em adição aos 6 aros. Referimo-nos a estes instrumentos como clarinetes 17/6. Outros clarinetes possuem mais aros e chaves. Se tens um clarinete na mão, podes constatar que a maioria das chaves estão fechadas. Existem molas que fecham estas chaves depois de serem abertas. Uma mesma chave serve para tirar mais do que uma nota Por esta razão é conveniente conhecer a dedilhação do instrumento. Existe um registo especial na parte de trás do clarinete, que se chama registo de oitava, que nos permite tocar notas mais agudas. Quando tocamos notas sem este registo, estamos a usar o registo grave, também conhecido como registo chalumeau . Se tocamos com este registo, isto é com o a chave de oitava aberta, tocamos notas do registo de clarinete, ou registo agudo. Quando temos todas as chaves fechadas, tocamos a nota mais grave do registo chalumeau (mi grave). Se abrirmos o registo de oitava, vamos ouvir a nota mais grave do registo de clarinete (nota si ). Podemos concluir, que temos o registo grave ou chalumeau, o registo médio ou registo de clarinete, e o registo super agudo, chamado altíssimo, acute ou registo extremo. O nome das chaves varia muito. Por exemplo, muitos clarinetistas chamam a chave do mi/si somente a chave do mi ou só a chave do si. A numeração das chaves também varia de livro para livro. È necessário ter em atenção também às chaves de trilo. Debaixo das chaves de trilo, existe ma peça chamada de ponte ou ligação. Como fazem a ligação entre os aros da junção inferior com o segundo aro da junção superior, este mecanismo é chamado também de correspondente. Dentro de cada chave existe uma sapatilha, que é um pequeno disco coberto com um material suave, que serve de vedante entre a chave e o buraco propriamente dito. Existem componentes extras que podem ser adicionados, como por exemplo um pequeno invólucro para o polegar da mão direita, para tornar mais suave a sustentação do instrumento. Outro acessório muito usado é a estante, para colocação de partituras, quando o músico toca na rua – ( Marching Band ).

O clarinete mais comum é o clarinete em sib. Se tocas um dó neste instrumento, em realidade estás a ouvir um sib, que é exactamente uma nota um tom abaixo do dó. Se tocas o dó3- (três buracos tapados da mão esquerda ), num clarinete em sib, irá ouvir-se o sib, também chamado de tom de concerto sib. Existem clarinetes em dó, o que aparentemente simplifica a escrita, mas tocando num mais agudo, o clarinete é um pouco mais curto, influenciando o timbre do mesmo. Por isso os clarinetistas preferem tocar em clarinetes em sib. Também é usado o clarinete em lá –( com tubo mais longo ), e o clarinete em mib –( tubo mais curto ). Todos estes instrumentos são chamados de instrumentos transpositores. Existem clarinetes em dó, sendo estes mais curtos que o clarinete em sib. Parece ser mais simples, mas o problema está no timbre, que é um pouco mais estridente e menos encorpado, preferindo os clarinetistas tocar no clarinete em sib. O clarinete em lá é um pouco mais longo que o clarinete em sib, tendo um timbre mais escuro. Pelo contrário, o clarinete em mib, também chamado de Requinta, tem um timbre mais brilhante, pois é mais pequeno que o clarinete em sib. Estamos perante instrumentos transpositores, pois na partitura está escrita determinada nota, mas ouvimos outra.

Clarinete alto e Clarinete baixo- o clarinete baixo é muito mais longo que o clarinete ordinário. Para evitar que se tornasse muito longo, tem algumas dobras- parte superior e parte inferior. Como é fácil concluir, divido ao tamanho do clarinete baixo, os dedos não tem tamanho suficiente para tapar os buracos, pelo que este clarinete tem chaves com buracos tapados, chamadas de plateau-style ou chaves cobertas. Basicamente o mecanismo é o mesmo. Este clarinete é afinado em sib, soando uma oitava abaixo do clarinete soprano em sib. O clarinete alto tem o formato do clarinete baixo è afinado em mib, e o seu tamanho é intermédio entre o clarinete baixo e clarinete em sib normal. De referir ainda, que o clarinete baixo e clarinete alto tem campânula e tudel em metal. Para terminar esta introdução ao clarinete, é pertinente dizer que temos estado a falar do clarinete francês ou clarinete com o sistema Boehm.

Comprar um clarinete- é sempre um momento importante quando chega a hora de comprar um instrumento. Existe no mercado uma grande variedade de opções a nível de marcas e preços. Desde logo existe a possibilidade de comprar um instrumento em plástico ou em madeira. Também pode comprar um instrumento com chaves niqueladas ou prateadas. É conveniente comprar o instrumento numa loja onde possam oferecer assistência técnica. Também antes de tomar a decisão definitiva quanto ao instrumento a comprar, será conveniente experimentar vários instrumentos mesmo que sejam do mesmo modelo, pois sempre existem diferenças entre eles, e de preferência serem experimentados por alguém que toque com desenvoltura para melhor poder apreciar as características do instrumento.

Um bom clarinete - em primeiro lugar, o som do clarinete depende do instrumentista. Um clarinete barato, pode soar muito bem nas mãos de um bom clarinetista. A opinião dos clarinetistas difere muito no que respeita aos clarinetes. Existem vários factores que fazem com que dois clarinetistas toquem e soem de maneira diferente. Existem clarinetes em plástico ou em madeira. È preferível comprar um em madeira, pois têm uma melhor sonoridade. O clarinete em plástico é menos sensível a variações de temperatura, resistente à chuva - ( bandas filarmónicas que tocam na rua ). Os clarinetes em madeira têm um melhor mecanismo. Existem ainda clarinetes em plástico fabricados com polímeros especiais que têm uma aparência similar ao clarinete em madeira. A fábrica francesa Buffet, fabrica instrumentos numa mistura de resinas e pó de grenadilha, da chamada linha verde. A sua sonoridade é como se fosse um clarinete em madeira, mas é muito mais resistente a variações de temperatura, a choques, à humidade, etc. Existem ainda clarinetes usados em música folclórica principalmente da Turquia e da Grécia feitos em metal. Estes clarinetes sopranos, são mais leves, pois a espessura do corpo é muito menor que num clarinete convencional.

Calibragem/medidas
Muitos folhetos, trazem indicações sobre a largura interna do tubo de cada clarinete. Esta medida tem muita influência sobre o modo como o instrumento soa e toca. Muitos clarinetes têm uma medida interior entre 14.65 e 14.85 mm, medidos na parte central do instrumento. A diferença parece mínima mas a experiência de vários músicos mostra que tem diferenças, chegando à conclusão que os instrumentos com largura maior, o ar passa mais facilmente. Os que têm uma largura menor, oferecem um pouco mais e resistência. Existem clarinetes com largura na ordem dos 15 mm, ma são usados por músicos de jazz. Estes instrumentos requerem mais ar. Para música clássica o instrumento indicado será um com uma largura inferior.

As calibragens variam de país para país. Os clarinetes franceses são geralmente mais estreitos, enquanto que os austríacos e alemães são mais largos. Os modelos americanos estão entre aqueles. Os clarinetes do Reino Unido são uma mistura entre o clarinete francês e o clarinete americano. Para obter a equivalência entre polegadas e milímetros, multiplicar a medida por 25,4.

O formato do clarinete é cilíndrico na maior parte do seu comprimento, exceptuando alguns pontos como a zona do barrilete e a campânula. O comportamento acústico do instrumento depende muito da forma do tubo interior do mesmo, pois está directamente relacionado com o fluxo de ar que corre dentro deste. O tubo torna-se cónico a partir do meio da junção inferior, sendo mais acentuada na campânula. Junto ao barrilete, o tubo estreita ligeiramente, provocando mais resistência, e faz com que o som seja mais escuro, quente, profundo, com mais cor. Um clarinete sem este estreitamento, oferece menos resistência à passagem do ar, tornando o som mais aberto, como um instrumento com uma medida mais larga. Como este estreitamento no cimo do instrumento é muito importante, são usados diferentes nomes técnicos para fazer alusão a esta característica: linear, duplo estreitamento, poli cilíndrico, poli cónico.

Para quem compra um instrumento, é importante o som deste e não tanto as especificações técnicas.

Outras medidas de outros clarinetes: clarinete alto- 17 a 18 mm; clarinete baixo- 23 a 24 mm; clarinete em mib ou requinta- 13,5 mm.

A campânula- esta parte e muito importante para o som, ao contrário do que poderíamos pensar. Não somente tem influência nas notas mais graves, como tambèm nas notas do registo médio. Sem a campânula o instrumento tem menos ressonância do que com a campânula acoplada. O mesmo instrumento mas com campânulas diferentes, terá uma sonoridade também diferente. Estas diferenças são perceptíveis se o instrumento for de boa qualidade e o músico experiente. Pode-se comprar uma campânula separadamente. Existem inclusivamente, campânulas em madeira para clarinete baixo, sendo estas muito caras. Como esta parte do instrumento é frágil, possui um aro em metal para reforçar a sua estrutura. Para evitar quedas que podem danificar o instrumento enquanto não estamos a tocar, é aconselhável usar uma estante própria para pousar estes instrumentos.

Muitos clarinetes possuem aros de reforço em todas as partes onde existem junções. Outros não têm este aro. A cortiça que está na nas partes das junções superior e inferior são chamadas tenon. Em instrumentos mais caros, estes são reforçados com aros tenon. Em instrumentos mais baratos não existem aros em nenhuma destas partes.

Buracos de afinação - os clarinetes têm três espécies de buracos de afinação: com aros, com chaves, e buracos sem aros nem chaves.

Se olharmos para o interior da junção superior, veremos dois pequenos tubos de metal: o registo e outro tubo na zona de onde o polegar da mão esquerda tapa o buraco. Estes tubos impedem que a saliva se acumule nestas zonas. Também têm influência na entoação das notas.

Mecanismo – o mecanismo do clarinete deve ser leve, e não deve produzir ruídos indesejados. Umas das partes que merece mais atenção são as chaves que o dedo mindinho da mão esquerda usa. Uma calibragem adequada usando batentes em cortiça ou material sintético com a mesma finalidade é muito importante para o equilíbrio do instrumento. Não menos importante é a calibragem das molas, de maneira a fazer com que as chaves tenham a mesma força. As chaves de trilo, a chave da nota lá e a chave deregisto, usam molas em forma de folha. No instrumento aparecem também molas em forma de agulha. A calibragem das molas e da altura dos aros, varia de instrumentista para instrumentista. Alguns clarinetes possuem chaves de diferentes tamanhos, ajustáveis a músicos com mãos pequenas, grandes, dedos curtos, compridos. Esta diferença é notória na chave de mib auxiliar que é tocada com o mindinho da mão esquerda. Outra peça ajustável é a peça de repouso do polegar da mão direita. Existem peças de repouso do polegar especiais, que desloca o peso do clarinete para a junção superior. Uma empresa especializada neste tipo de acessório é Ton Kooiman. Outra maneira de reduzir o peso sobre o polegar é o uso de uma correia à volta do pescoço. Este acessório é usado por crianças, mas o seu uso também começa a ser generalizado a adultos. As chaves de trilo que são movimentadas com a mão esquerda, vêm posicionadas de duas maneiras: em linha e em diagonal. Estas chaves podem ter uns cilindros que torna a sua regulação mais fácil. De referir para terminar este capitulo do mecanismo, que existem clarinetes com chaves extras, com parafusos de regulação extras. Um clarinete com todos estes extras é chamado um instrumento Boehm completo. No entanto, todas as chaves extra ou parafusos de regulação extra, fazem com que o peso do instrumento aumente, embora possam facilitar algumas passagens entre determinadas notas, mas a verdade é que os fabricantes continuam a preferir o fabrico do clarinete de 17 chaves e 6 aros, isto é, continua a ser o melhor compromisso entre fabricante e músico. De referir ainda que o clarinete baixo consegue alargar a sai extensão até ao dó em vez de mib, o que implica a adição de mais chaves, o que encarece substancialmente o instrumento.

Sapatilhas – as sapatilhas são feitas de intestino de vaca. Como este material é muito fino, usa-se duas ou três camadas deste material. As sapatilhas de plástico, embora sendo um pouco mais caras, começam a ser cada vez mais utilizadas nos clarinetes. Uma marca importante deste material é a marca Gore-Tex. Os clarinetes alemães usam couro fino para as sapatilhas, que supostamente fazem com que o som seja mais cálido. As chaves da parte inferior do instrumento, deverão ter sapatilhas de cortiça, pois é nesta parte do instrumento que condensa a maior parte da saliva. O clarinete baixo usa sapatilhas de cortiça noutras chaves também. Alguns clarinetes têm ressonadores de metal nas sapatilhas das últimas chaves da junção inferior, adicionando um pouco de brilho e projecção a estas notas.

Clarinete em lá – numa orquestra sinfónica, existem dois tipos de clarinete: em sib e em lá, que toca meio-tom abaixo do clarinete em sib. A razão principal para os compositores escreverem para este instrumento, não tem a ver com a sonoridade em si, mas, com a facilidade de execução de certas passagens musicais da partitura em causa. Por exemplo, se uma peça está escrita em lá maior de efeito, para o clarinete em sib aparecerá uma armação de clave com 5 sustenidos, mas o clarinete em lá, tocará a mesma música com uma armação de clave sem sustenidos – (estamos a tocar em dó maior no clarinete em lá ). As diferenças entre estes dois clarinetes, na verdade são quase inexistentes, talvez notando-se alguma diferença na parte mais grave do registo mais agudo.

Clarinetes alemães – Na Alemanha e na Áustria, muitos clarinetistas usam estes clarinetes. Têm um som mais delicado, mas também um mecanismo diferente. O mecanismo dirige-se para diferentes variações: Albert, Oehler, sistema Boehm reformado, são as três variações utilizadas. Existem diferenças entre o clarinete francês e o clarinete alemão a nível da dimensão dos buracos, a nível da chave de registo de oitava, que no clarinete alemão está quase na parte de frente do instrumento. Existem características próprias nos 3 mecanismos referidos anteriormente do clarinete alemão, mas é o clarinete francês o preferido em maior número de países, pois é mais fácil de tocar, precisando de menos mecanismos, e certas notas podem ser tocadas de diferentes maneiras. Para terminar este capítulo, de referir que existem outros sistemas, como o sistema Schmidt- Kolbe –( com muitas chaves adicionais ), e o sistema Muller. Muitos clarinetes com estes sistemas são encontrados na Europa central.

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