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MOSTEIRO DE SANTA CLARA-A-VELHA
e Estêvão Domingues
Fundado a 13 de Abril de 1283 (DIAS, 2003, p.145), ou em 1286, por D. Mor Dias, as primeiras obras de que há notícia referem-se à construção de um conjunto de casas para acolhimento de monjas clarissas, núcleo original certamente modesto, mas que se deveria já compor de uma pequena igreja, um dormitório e um claustro (CORTE-REAL, SANTOS e MOURÃO, 2000, p.10). A fundação do mosteiro contou com a resistência dos monges de Santa Cruz, onde D. Mor professava, que logo em 1311, falecida a fundadora, conseguiram a extinção do cenóbio.
O segundo capítulo da história do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha de Coimbra teve início em 1314, ano em que D.a Isabel de Aragão refundou a casa monástica As obras então patrocinadas conduziram ao conjunto edificado que hoje, genericamente, subsiste e devem-se, numa primeira fase, ao arquitecto Domingos Domingues, mestre que havia trabalhado no claustro do Mosteiro de Alcobaça (DIAS, 1982, p.4).
Deste primeiro período construtivo data a igreja, sagrada em 1330, quando o arquitecto responsável era já Estêvão Domingues, muito provavelmente, parente do anterior. Pouco se sabe dos trabalhos efectuados por cada um destes mestres. Paulo Pereira supõe que ao primeiro se tenha ficado a dever a cabeceira e ao segundo o corpo da igreja, incluindo a opção pelo abobadamento total (PEREIRA, 1995, vol. II, p.376).
HISTÓRIA
Um curioso exemplar, óbvio momento de experimentação portuguesa do gótico : o Convento de Santa Clara de Coimbra,melhor conhecido por Mosteiro de Santa Clara-a-Velha . A fundação é posterior a 1286 , mas só com o auxílio de D.a Isabel de Aragão, as obras do edifício actual tiveram início. Respeita em termos de planta e alçados, a disposição dos templos de Clarissas - três naves de sete tramos sem transepto e cabeceira com três capelas (as dos extremos quadrangulares, poligonal a capela-mor ).
Ao mestre Domingos Domingues devem-se as primeiras campanhas que decorreram de 1316 até 1325 , sendo depois sucedido por Estevão Domingues . Estevão cobriu a nave central de uma abóbada de berço quebrado sustentada em arcos torais de grande porte, desistindo, ao que parece, de a cobrir com cruzaria de ogivas. Mas nas colaterais optou claramente por este sistema, e apesar de de grandes imperfeições técnicas a que não serão estranhas dificuldades de implantação do templo, que muito cedo se afundaria nos campos alagados no rio Mondego. Não podemos esquecer que o objectivo do mestre foi conseguido: o de construir um templo vertical, (o que hoje com o afundamento e o piso intermédio construído impede-nos de perceber as proporções esguias do conjunto), bem iluminado por frestas laterais de grande altura.
Este templo inscreve-se pela sua importância enquanto estaleiro-escola, numa conjuntura de gradual influência e aceitação dos Franciscanos na corte e na sociedade em geral: a rainha D. Isabel era particularmente dedicada à Ordem, ingressando depois de viúva na Ordem Terceira de São Francisco e fazendo-se sepultar numa magnífica arca feral neste mesmo Mosteiro. |
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