TRADIÇÕES, CRENÇAS POPULARES, CANTARES E DANÇAS

TRADIÇÕES E CRENÇAS POPULARES
A Ementa das Almas que em outros locais também é conhecida por “ Amenta ou o aumentar das Almas ”, é uma cerimónia de carácter religioso que reconstitui uma antiga tradição popular das terras de Covões. Já não se realiza há mais de 35 anos e que consistia em percorrer vários locais da Paróquia de Covões na época da quaresma, nomeadamente sete encruzilhadas localizadas junto das Alminhas ou cemitérios.
Ementa das almasSegundo a tradição o itinerário teria de percorrer um trajecto de ligação, utilizando diferentes percursos evitando assim o cruzamento e a repetição dos caminhos por onde se passava, com a razão de “guiar” as almas do purgatório pelo caminho da salvação, evitando que elas se pudessem desviar pela influencia do mal que tenta “cruzar-se”. Com base neste propósito, esta tradição iniciada pelos populares tendo como suporte musical antigos filarmónicos que com o som dos seus instrumentos davam um ar mais solene a este ritual que era uma mistura entre o profano e o religioso.
A última vez que foi interpretado teve o patrocínio cultural da AACCC Associação Cultural da Freguesia, que desta forma quiz reviver uma das mais antigas tradições da nossa freguesia.
A letra original deste acto de cultura popular rezava assim:
“” Bendita e louvada, louvada seja a sagrada morte e paixão do nosso senhor Jesus Cristo.
Fieis cristãos, fieis cristãos. Lembremos das almas que estão nas penas do purgatório com um "Padre Nosso" e uma Avé Maria.
Seja, seja p´lo amor de Deus.
Rezemos outro "Padre Nosso" e outra Avé Maria por aqueles que andam sobre as águas do mar que o Senhor os traga ao porto de salvamento.
Seja, seja p´lo amor de Deus. “” ( oração final)

O roubar das carroças, é uma tradição que ainda resiste à modernidade e ao facto de não existirem já muitas casas na freguesia que possuam carroças puxadas por animais. Realizava-se no fim das festas populares de Junho, principalmente S. Pedro e S. João ou na época das descamisadas do milho. Em geral eram os jovens solteiros que organizavam algumas fogueiras públicas fazendo arder grandes cepos de arvore, e depois às primeiras horas da madrugada, enquanto a maior parte das pessoas dormia, organizavam-se em grupos numerosos invadindo algumas casas, de onde retiravam, evitando fazer ruído, as carroças existentes (por vezes até mesmo carregadas!) para as levar para o largo das festas em cada localidade, numa atitude de provocação popular, já que normalmente os alvos eram principalmente aqueles agricultores que se vangloriavam que seria impossível roubar-lhes a sua carroça esse ano.
Serra à Velha (ou "sárr' à velha" para os mais velhos), é uma tradição já quaze caída em desuso pelos populares há mais de 30 anos, podendo acontecer ainda de uma forma ocasional. Realizava-se normalmente numa quarta-feira no meio da Quaresma. Assim, um grupo de populares utilizando grandes funis como forma de amplificação da voz, subiam para uma árvore ou choupana da palha, ou escondendo-se de maneira a gritar em público algum acontecimento ou critica, dirigida a outra pessoa no sentido de a envergonhar públicamente com a revelação de um qualquer facto pessoal reprovável aos olhos da comunidade, dai podendo resultar, por vezes, alguns conflitos sociais ou desavenças familiares.
Procissão dos Nus, segundo se consta só se realizou uma vez, há mais de 60 anos, quando um popular do lugar de Montouro conseguiu convencer um grande grupo de casais residentes a realizarem uma procissão de Montouro em direcção aos Covões, servindo para expurgar os males que os afligiam na vida. Desta forma homens e mulheres desfilaram totalmente nus pelas ruas, até que um outro popular que fazia parte do referido cortejo e após ter reflectido, alertou os restantes para o logro de que estavam a ser alvo. Assim a referida procissão não completou o seu percurso, mas ficou registada nas histórias da tradição popular que ainda se mantêm muito presentes na memória colectiva.

" Segundo uma crença já antiga existe um ditado que caracteriza as gentes da nossa freguesia, dizendo-se ainda agora muitas vezes em tom de graça que “Covões é Terra de músicos, de padres e de porqueiros " .

CANTARES E DANÇAS - Canto das Almas Santas.
Por toda a paróquia de Covões continua a manter-se uma centenária tradição "do cantar das Almas santas", que ocorre sempre durante o tempo da Quaresma. Assim, os populares organizam-se informalmente em pequenos grupos que, liderados por um dos moradores, percorrem as casas habitadas de porta em porta entoando um cântico de apelo à oração pelas almas que ainda estão no Purgatório. Segundo a tradição o grupo coloca-se junto da entrada principal da casa, cantando até ser recebido pelos moradores. De seguida perguntavam ao dono da habitação se pretendiam ofertar uma oração pelas almas ou se preferiam contribuir com um donativo em dinheiro para se mandarem rezar várias missas ao longo do ano pelas intenções dos seus familiares ou conhecidos em geral. A letra deste rito profano é muito extensa sendo interpretado por um coro de homens que entoam um refrão que é respondido pelas mulheres que os acompanham. Normalmente a primeira quadra é para chamar a atenção dos moradores e reza da seguinte forma: «« Ó Almas que estão dormindo nesse sono tão profundo, acordai e venham dar esmola para as almas do outro mundo..... »»
O Grupo de Cantares da PRODEMA de Marvão, tem como objectivo a recuperação e a recolha dos cantares tradicionais da região, em especial os ligados à tradição do extinto Rancho Estrelas da Nossa Terra de Marvão.

TRAJES CARACTERÍSTICOS
Apesar de já totalmente caídos em desuso existe a memória colectiva dos muitos trajos tradicionais usados antigamente dentro do vestuário típico da região da Gândara.

JOGOS TRADICIONAIS
Ainda se praticam de forma esporádica, mas mais ligados às festividades populares os seguintes jogos: a malha, o finto, as bolas e o tiro ao prego com uma espingarda de pressão de ar.

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